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28 de agosto de 2015 - 09:19

Seminário Internacional debate detecção e alertas para tornados

Evento foi motivado pela ocorrência de um tornado em Santa Catarina

Seminário Internacional debate detecção e alertas para tornados

Brasília, 27 de agosto de 2015 – A Comissão Externa da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar a Situação de Emergência no município de Xanxerê, atingido por tornado em abril, promoveu na manhã desta quinta-feira, o Seminário Internacional de Detecção e Alerta de Desastres Severos. O evento reuniu especialistas do Brasil e dos Estados Unidos para possibilitar a troca de experiências e conhecimento na ocorrência de tornados.

Para o deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), o evento foi muito importante, por proporcionar esclarecimentos sobre a realidade brasileira no que diz respeito a organização dos centros de meteorologia no país. Dados apresentados pelo pesquisador americano, Dr. Harold Edward Brooks apontam que o sul do Brasil é a segunda região mais provável para a ocorrência de tornados no mundo.

Conforme o diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas do Departamento de Ciências Atmosféricas/USP, Dr. Carlos Augusto Morales Rodriguez, o Brasil possui cerca de 40 radares, enquanto os Estados Unidos dispõe de mais de 100. “O nosso principal gargalo está na organização. Nossos radares não são integrados, apenas quatro possuem sistema de alerta e alguns deles só disponibilizam dados para a Defesa Civil”, destacou o pesquisador.

“Ficamos preocupados ao saber que os próprios órgãos do governo, que investem dinheiro público para aquisição e manutenção dos equipamentos, não conversam entre si. Isso dificulta bastante o avanço do país no sentido de prevenir e educar a população para esses eventos climáticos”, pontuou o deputado catarinense.

Vereadores de Xanxerê também estiveram presentes no Seminário. O vereador Wilson Martins dos Santos evidenciou a sua busca por orientação no que diz respeito ao tipo de material, especificações e técnicas para a construção civil, visando fortalecer em especial os prédios públicos. O vereador Adriano de Martini falou sobre a criação de protocolos e termos de cooperação com os Estados Unidos enfatizando a necessidade de investimento em prevenção e educação da população.

Já o vereador João Paulo Menegatti trouxe ao evento o relato de sua experiência como diretamente afetado pelo tornado ocorrido em abril. A preocupação de Menegatti é com a disponibilização de recursos públicos para aquisição de radares, que custam entre US$ 1 e 1,5 milhão.

O secretário de Defesa Civil do estado de Santa Catarina, Milton Hobus, também esteve no Seminário e destacou os esforços para ampliar a rede de captação de informação, fazer o mapeamento hidrogeológico, o trabalho de treinamento junto às escolas e a disponibilização de informações para a população.

Questionado por Colatto sobre a existência de um plano para prevenção e a criação de um sistema de alertas para eventos severos, o pesquisador da USP, Dr. Carlos Rodriguez, informou que em 2004 teve início um programa de integração de radares. “O projeto foi enviado para Brasília em 2008 e até hoje não voltou”, disse. Colatto demonstrou preocupação com a situação apresentada. “Vimos que vários pontos do país estão sem cobertura de satélite, sem radares meteorológicos. Além disso, nos faltam muitos instrumentos e tecnologia. Esta é uma questão de defesa, de clima e principalmente que envolve a proteção da população. Nós precisamos resolver isso e vamos trabalhar fortemente para que atitudes sejam tomadas”, garantiu Colatto.

Solução legislativa

Colatto destaca que vai se empenhar no andamento da PEC 564/2006 que tramita no Congresso Nacional. Trata-se de proposição para modificar os arts. 21 e 22 da Constituição Federal, visando acrescentar os serviços de meteorologia e climatologia às atividades que à União compete explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão.

O objetivo principal é que os dados meteorológicos e climatológicos alcancem a confiabilidade e a eficiência necessárias, evitando-se duplicidade de esforços na esfera pública, impondo-se a necessidade de reordenar o sistema que cuida das informações meteorológicas, inclusive no que diz respeito a pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

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