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19 de fevereiro de 2016 - 17:52

Artigo: Horário de Verão: Quem paga a conta é o SUS

Artigo: Horário de Verão: Quem paga a conta é o SUS

Qual o benefício em se adiantar os relógios em uma hora em determinado período do ano? Esta é a pergunta que faço principalmente quando se aproxima o período do horário de verão e principalmente quando as pessoas relatam as dificuldades de se acostumar com a mudança de horário.

A justificativa, apresentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é de melhorar o aproveitamento da luz natural e proporcionar redução na geração de energia elétrica. Pois bem. Ando por todo o Estado de Santa Catarina, percorro municípios em vários Estados do Brasil e nunca encontrei algum consumidor que me certificasse que sua conta de energia elétrica diminuísse de valor durante o horário de verão. Em consequência, a anunciada redução de consumo entre 4 a 5% divulgada pela Aneel não preserva as crises nos reservatórios, muito menos os apagões em todo o Brasil.

Pelo contrário. A reclamação é geral e aumenta com o passar dos anos . As pessoas acordam mais cedo, dormem mais tarde e junto com esta mudança de rotina surge uma série de problemas. Quem acorda normalmente às 6h30 da manhã passa a acordar as 5h30 e tem seu sono reduzido em uma hora, justamente naquela última hora em que o sono é mais prazeroso, profundo e revigorante.

Com efeito, as pessoas acordam mais cansadas e isso interfere em todas as atividade laborais e escolares. Aumenta o sono, o estresse, diminui produtividade e altera-se o humor. O efeito em crianças e idosos costuma ser maior. Para quem trabalha no campo e na lavoura, que costuma acordar ainda mais cedo que moradores de áreas urbanas, as mudanças são ainda mais perversas.

Estudos apontam que as alterações de horário da bioatividade humana ocasionam distúrbios orgânicos, a exemplo de fadiga, dores de cabeça, confusão de raciocínio, irritabilidade, constipação e queda da imunidade. São análises dos malefícios publicadas por artigos científicos nacionais e internacionais. Portanto, o relógio biológico controla um grande número de funções vitais do organismo. Um bom sono está diretamente ligado a uma melhor qualidade de vida.

Tudo que se divulga relacionado a economia com horário de verão são estimativas, sem comprovação científica. Estudos sérios, como o da Comissão de Energia da Califórnia (EUA), divulgado na Scientific American, apontou que não existe economia com o horário de verão. A Rússia aboliu o horário diferenciado desde 2011; alegando consequências à saúde da população. Após 30 anos de horário de verão, a Academia Russa de Ciências Médicas revelou que a alteração dos relógios contribui para o aumento de 1,5 vezes em ataques cardíacos, 66% na taxa de suicídios e efeito maior na saúde de crianças e idosos com estresse, distúrbios do sono, cardiovascular e imunológico. O The England Journal of Medicine publicou o aumento de 5% nos ataques cardíacos na primeira semana do horário de verão.

Mas ouço quem aguarda ansiosamente o Horário de Verão para se exercitar ao fim do dia, aproveitar o happy hour, já que a vida social se intensifica no verão. Isso acontece na maioria das vezes em quem reside em cidades maiores e no litoral. O que não podemos é deixar que este desejo pessoal seja mais importante do que uma série de fatores negativos causados pela mudança de horário.

A resposta para as vantagens de se adiantar os relógios por uma hora durante 126 dias são ínfimas se comparados aos estragos na saúde e segurança das pessoas. Resultado disso é o Projeto de Lei 397/2007 que trata da extinção do horário de verão no Brasil, tema que ganha cada vez mais adeptos nas ruas e no Congresso Nacional onde tramita. Ao parlamento, a proposta em 2015 foi para levar o tema à consulta pública, permitindo que o povo opine sobre o tema, de norte a sul do Brasil, nas cidades e no interior. Continuaremos lutando pela sua extinção. Cabe ao governo compreender que os gastos com a saúde são muito maiores que falaciosa redução de consumo de energia e quem paga a conta é o Sistema Único de Saúde (SUS).

Valdir Colatto, deputado federal (PMDB/SC)

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